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Beyond Design – When Objects Begin to Dress

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There are moments when design ceases to be concerned solely with function and begins to question the very nature of the object. In these works, chairs are no longer simply chairs. They become bodies, skins, garments, memories, and landscapes.

O TEMPO (time) | Bianca Ranucci, 2024

What connects Bianca Ranucci’s textile interventions, Crude’s sculptural investigations, and Mathieu Lehanneur’s Loose is not a direct dialogue with fashion, but rather a shared interest in displacement. Each artist challenges the fixed identity of furniture, transforming it into something suspended between utility and representation.

In Ranucci’s Barbatanas, the gesture is inverted. Unlike Oiticica’s Parangolés, which dress the body, the textile dresses the object. The chair becomes a support for light, shadow, and movement, occupying a space somewhere between architecture and garment. In O Tempo, fabric preserves traces of presence and absence, carrying memory as if the object itself had a body capable of remembering.

For the duo behind Crude, furniture becomes skin. Chairs are rebuilt from discarded structures and reclaimed materials, creating hybrid beings that evoke cycles of transformation and reincarnation. The object no longer appears as a finished industrial product but as a living organism in continuous mutation.

Lehanneur’s Loose occupies yet another threshold. No longer entirely furniture and not yet entirely textile, the chair appears loosely dressed, existing in a state of transition. The work suggests that objects, like bodies, can possess softness, vulnerability, and impermanence.

Together, these works reveal a growing tendency in contemporary art and collectible design: the abandonment of rigid disciplinary boundaries. Furniture is no longer understood merely as an instrument of use, nor fashion solely as a matter of clothing. Between them emerges a fertile territory where objects acquire presence, memory, and agency.

What we encounter is not design borrowing from fashion, but rather a broader investigation into how matter inhabits space, how objects can embody experience, and how form itself may become a second skin.

Bianca Ranucci, Barbatana Chair
Crude, Skind Chair
Mathieu Lehanneur, Loose Chair

Além do Design: Quando os Objetos Começam a se Vestir

Há momentos em que o design deixa de se preocupar apenas com a função e começa a questionar a própria natureza do objeto. Nestes trabalhos, cadeiras deixam de ser simplesmente cadeiras. Tornam-se corpos, peles, vestimentas, memórias e paisagens.

O que conecta as intervenções têxteis de Bianca Ranucci, as investigações escultóricas da Crude e Loose, de Mathieu Lehanneur, não é um diálogo direto com a moda, mas um interesse compartilhado pelo deslocamento. Cada artista desafia a identidade fixa do mobiliário, transformando-o em algo suspenso entre utilidade e representação.

Nas Barbatanas de Ranucci, o gesto se inverte. Ao contrário dos Parangolés de Oiticica, que vestem o corpo, o tecido passa a vestir o objeto. A cadeira torna-se suporte para luz, sombra e movimento, ocupando um espaço entre arquitetura e vestimenta. Em O Tempo, o tecido preserva vestígios de presença e ausência, carregando memória como se o próprio objeto possuísse um corpo capaz de lembrar.

Para o duo da Crude, o mobiliário torna-se pele. Cadeiras são reconstruídas a partir de estruturas descartadas e materiais reaproveitados, criando seres híbridos que evocam ciclos de transformação e reencarnação. O objeto deixa de aparecer como um produto industrial acabado para existir como um organismo vivo em contínua mutação.

Loose, de Lehanneur, ocupa outro território de transição. Não mais inteiramente mobiliário, mas ainda não totalmente tecido, a cadeira aparece suavemente vestida, existindo em um estado intermediário. A obra sugere que objetos, assim como corpos, podem carregar suavidade, vulnerabilidade e impermanência.

Juntas, essas obras revelam uma tendência crescente na arte contemporânea e no design colecionável: o abandono de fronteiras disciplinares rígidas. O mobiliário deixa de ser compreendido apenas como instrumento de uso, assim como a moda deixa de existir apenas como vestimenta. Entre esses campos, emerge um território fértil onde os objetos adquirem presença, memória e potência própria.

O que encontramos não é o design apropriando-se da moda, mas uma investigação mais ampla sobre como a matéria habita o espaço, como os objetos incorporam experiências e como a própria forma pode tornar-se uma segunda pele.

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